“Vergonha e estigma retardam diagnósticos e geram mais mulheres vítimas do HIV”

Silenciamento e opressão quando pensamos em mulheres,são males que atingem as mais diversas esferas de nossas vidas.Seja mudando de calçada para não passar em frente a um bar,ou não emitindo uma opinião durante uma reunião por medo de não ser levada a sério,somos constantemente silenciadas nos mais diversos espaços da nossa vida.Para além dos danos à nossa saúde mental,que essas “pequenas” opressões diárias podem causar,muitas vezes o medo que nos acompanha acaba por agravar também quadros de nossa saúde física.”Esse é o caso por exemplo de mulheres portadoras de HIV/AIDS”.

 

 

Após discussões e leituras a respeito de transmissão de doenças sexualmente transmissíveis(DST)e seus determinantes sociais,uma coisa parece ser comum em todos os casos,”as pessoas têm medo de saber”.Há alguns anos,o governo do estado do Rio de Janeiro lançou uma campanha que dizia “Faça o teste” e “Descubra e comece o tratamento o quanto antes”.Esse esforço para que a população se dirija às unidades de saúde e saibam se são portadoras ou não de HIV,é compreensível e de fato,necessário.”O medo de descobrir,e não poder mais ignorar aquela situação,faz com que os diagnósticos demorem meses para acontecer,mesmo que a pessoa em questão tenha suspeitas,mas não apresente nenhum sintoma”.

 

 

Devido a associação da AIDS com comportamento sexual promíscuo ou imoralidade em nossa sociedade,mulheres sofrem ainda mais,uma vez que demoram a buscar unidades de saúde para seu tratamento,”fazendo muitas vezes com que aconteça a transmissão vertical da doença,ou seja,que a mãe transmita para seu bebê durante a gestação e,a mesma só venha a descobrir sua condição de saúde durante a realização dos primeiros exames de pré-natal”.A questão dos modelos de relações heterossexuais também precisa ser pautado na discussão da prevenção às DST e em especial,na prevenção do HIV no país,já que:

 

 

“A cada dia mais mulheres mantém relações(teoricamente)monogâmicas são infectadas.O medo da doença transmitida pelo parceiro,condiciona o comportamento de mulheres e as mantém assim,em silêncio a respeito de suas dúvidas em relação à sua própria saúde,já que as mesmas não querem duvidar da fidelidade do parceiro e ao mesmo tempo,têm medo de pôr a relação estável em risco,com um confrontamento a respeito da saúde sexual do casal”.

 

 

É importante sabermos que,estar infectado,diferentemente do que era por exemplo na década de 1970 e 1980,”não significa o fim da vida social de ninguém”.Se informar é necessário já que,”a cada dia mais medicamentos e novas formas de prevenção e tratamento estão sendo desenvolvidas,como é o caso por exemplo da profilaxia pré-exposição(PREP),além de métodos como o uso do preservativo que,segue sendo o mais eficiente”.

 

 

“No contexto atual de avanço da epidemia,outro aspecto a ser considerado são as novas possibilidades de recursos biomédicos de prevenção do HIV.A infecção pelo HIV,tornou-se administrável,mesmo não devendo se ignorar os efeitos colaterais decorrentes do tratamento(Parker,2015)”.

 

 

A política também tem grande papel na promoção de saúde,já que é através da cooperação entre órgãos que a grande camada da população e de mulheres poderão ser atingidas.O que vivemos atualmente em nosso país no entanto,é um grande retrocesso no que diz respeito a políticas públicas de promoção de saúde e prevenção a HIV/AIDS.Os que viveram sua juventude nas décadas passadas certamente se lembram de propagandas mais incisivas na prevenção da AIDS se comparadas aos últimos anos.Em grande parte,o retrocesso de políticas públicas no controle e prevenção do HIV/AIDS no Brasil se deve ao avanço do congresso conservador nos últimos anos e que permanecerá até 2019.”Esse retrocesso vem acertando exatamente quem mais precisa,homens gays e mulheres com pouca instrução”.

 

 

O diálogo é importante principalmente para disseminação de informação.Vale lembrar por exemplo,o caso das campanhas de vacinação contra HPV em 2014 para meninas adolescentes,onde diversos momentos víamos campanhas de setores conservadores da sociedade civil tentando deslegitimar ou,passar falsas informações a respeito da vacinação de adolescentes que iriam começar ou,já estavam começando a vida sexual.Alguns acontecimentos políticos mais recentes também nos demonstram o perigo que representa o avanço de questões morais e religiosas em discussões de saúde pública,principalmente para as populações mais vulneráveis,como a feminina.

 

 

Em ordem cronológica,em 2011,houve a proibição por parte da circulação na rede pública de educação de kits com vídeos educativos sobre diversidade sexual;em 2012 uma campanha em vídeo de prevenção ao HIV volta em especial para os homens gays durante o carnaval foi censurada pelo Ministério da Saúde e,em 2013 uma campanha também de prevenção de HIV voltada para prostitutas foi censurada pelo congresso,fazendo com que o diretor do Departamento de HIV,AIDS e Hepatites Virais pedisse exoneração do cargo.

 

 

Pode-se dizer assim que o diálogo e campanhas que estimulem o empoderamento feminino seja o melhor caminho para reverter esse quadro que vivemos atualmente.É preciso que mulheres se empoderem quanto aos seus corpos e consequentemente sua saúde,física e mental.

 

 

Por : Fabiana Pinto

 

 


 

 

Texto extraído do endereço:

noo.com.br

 


 

 

aids.jpg

 


Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s