Os assassinos e os cúmplices dos crimes de ódio

No fim do mês passado,em Fortaleza,uma travesti,Dandara dos Santos,42 anos,foi brutalmente assassinada e o vídeo de sua execução a apuladas,chutes,tapas e murros circulou na internet.O Ceará ocupa a 6ª posição no ranking de assassinatos LGBT(lésbicas,gays,bissexuais e transexuais) no Brasil,segundo relatório do Grupo Gay da Bahia de 2016.Nesse ano,foram registrados 343 homicídios,os chamados de “crimes de ódio” em todo o País,15 deles no Estado.

 

 

Muita gente chocou-se,talvez pela exposição crua das agressões,acompanhadas de xingamentos homofóbicos dirigidos à vítima,mas talvez menos pessoas tenham se perguntado porque isso acontece com tanta frequência – e qual o motivo de tamanho incômodo com a orientação sexual alheia,como se isso fosse uma ofensa pessoal para tantos imbecis.

 

 

Sim,porque existem aqueles que levam às últimas consequências o seu ódio e aqueles que somente condenam,sem perceber(ou percebendo)que seu comportamento os tornam espécies de cúmplices desses assassinatos,com os mais ousados agindo como braços armados dos partidários do ódio e do desprezo.(É o mesmo grupo que nega a existência do feminicídio.)

 

 

Uma explicação talvez seja pelo fato de as religiões verem a homossexualidade como prática abjeta,uma perversão(mesmo o sexo heterossexual é mal visto pelos religiosos,a não ser quando praticado para dar continuidade à espécie).

 

 

Mas pensemos um pouco:se Deus é o todo-poderoso,criador do Cosmo,do céu e da terra,por que ele estaria preocupado com a forma como seus filhos exercem a sexualidade,um presente que ele mesmo deu à humanidade?

 

 

Sendo todo-poderoso,ele poderia ter feito outra escolha,não?,inclusive criando uma forma de reprodução assexuada,sem repartir a humanidade em diferentes sexos.Talvez alguém lembre o pecado original,ok,mas se o houve é porque,mesmo no paraíso,já havia o homem e a mulher.E,qualquer um – mesmo não sendo Deus – poderia prever que eles acabariam por descobrir a diferença,por evidente.

 

 

Além disso,há aqueles sujeitos que se acham porta-vozes de Deus,como o pastor Silas Malafaia,que surge babando na internet para vociferar contra o primeiro desenho animado da Disney que mostra cena de beijo gay e contra o novo filme baseado no clássico do conto de fadas “A bela e a fera”,também da Disney.O que fez Malafaia subir nas tamancas foi a declaração do diretor Bill Condon(que não se perca pelo nome),afirmando que será o primeiro filme da Disney com um personagem Homossexual e “um momento exclusivamente gay”.

 

 

Malafaia e muita gente boa(quer dizer,má)acusam a Disney de fazer “propaganda gay para crianças”,como se a sexualidade fosse uma escolha entre dois potes de margarina.Porém,até hoje,não se descobriu o que define a orientação sexual.O que se sabe – e somente isso já bastaria para considerar natural as diversas formas de sexualidade – é que as várias formas de exercê-la sempre existiram em qualquer agrupamento humano.Portanto,o fato de os heterossexuais serem maioria(pelo menos aparentemente) não significa que outros tipos de comportamento sejam desviantes,condenáveis ou “antinaturais”.

 

 

No mais,amigos,mesmo que a homossexualidade seja uma “opção”,como querem alguns,seria apenas isto:uma escolha.Ou seja,ninguém será obrigado a ser homossexual,lésbica ou travesti.

 

 

Portanto,por favor,deixem cada um viver em paz e esqueçam esse papel ridículo de fiscais da sexualidade alheia.

 

 

Rússia contra os gays…

 

 

A Rússia também quer censurar “A bela e a fera” em seus cinemas com base em uma lei que proíbe “promoção da propaganda gay para menores de 18 anos”.

 

 

…e a favor da agressão às mulheres

 

 

O parlamento russo também aprovou em janeiro lei que descriminaliza a violência doméstica contra mulheres.Desde que não ocorram “lesões corporais graves”,o marido pode bater na mulher e nos filhos uma vez por ano.As ressalvas soam irônicas,não fossem sombrias.(A propósito,entre os autores da lei está uma mulher.)

 

 

Beijo

 

 

A primeira cena de beijo gay em um desenho animado da Disney – casais formados por duas mulheres e por dois homens – foi em um episódio da série “Star versus As Forças do Mal”,no Disney Channel,Estados Unidos.

 

 

 

Por: Plínio Bortolotti

 

 


Texto extraído do site:

 

 

http://www.opovo.com.br/jornal/colunas/menupolitico/2017/03/os-assassinos-e-os-cumplices-dos-crimes-de-odio.html

 

 


 

 

 

 

gay-sem-data

 

 


Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s