Crueldade Inigualável

Enquanto predominam os instintos agressivos no ser humano,remanescentes da animalidade primitiva,estiolam-se os sentimentos de dignidade e equilíbrio,irrompendo e sobrepondo-se à razão a crueldade,que atinge limites inconcebíveis,cada vez mais surpreendentes.

Sem que hajam desaparecido da História,periodicamente eles ressurgem no organismo social com virulência incontrolável,levando multidões à loucura e condenando vítimas que lhes tombam inermes conduzidas a holocaustos desesperadores.

Passa,assim,como celerados,impondo a força dos seus ideais apaixonados e reduzindo à penúria,à mutilação,à morte,mediante torturas indescritíveis,os que se lhes fazem cobaias para experiências macabras.

Paranóides irrecuperáveis,apresentam-se com dicotomia da personalidade,passando da absoluta frieza com que cometem os crimes mais hediondos,à ternura comovedora,às lágrimas,ao afeto sensibilizador.

Experimentando medo incomum,tornam-se temidos e impiedosos,ocultando essa face mórbida que lhes constitui a realidade por meio do ódio e desprezo pelas demais criaturas,com total impassividade,dando largas à imaginação para a prática dos atos mais cruéis com os quais se comprazem.

Sem nenhuma escala de valores morais atingem o auge da alucinação acreditando-se saudáveis e corretos,em razão de estarem a soldo do que supõem ser um dever de que se devem desobrigar com perfeição.

Para tal desiderato,suas mentes doentias elaboram métodos que produzem horror a todas as criaturas,menos àquelas que se movimentam em sintonia com suas faixas psíquicas hediondas.

Fomentadores de guerras,por viverem em permanente conflito,nelas se destacam por facultarem lugar a todas as arbitrariedades de que se sentem com direito,instalando os regimes de exceção pela força,aplaudidos pelos símiles e pelos demais odiados,desse modo atendendo ao desmedido narcisismo.

Crêem-se imbatíveis,imortais no corpo,fugindo a qualquer lampejo mental em torno da fragilidade orgânica de que são constituídos,e,quando tal lhes ocorre,mais se lhes aumenta a crueldade por sentirem-se incapazes de prosseguir para sempre nos desmandos a que se entregam covardemente.

 

                             *        *       *       *       *         *

 

 

Himler,o infante chefe das tropas SS da Gestapo,encarregadas do programa final,nos campos de concentração,que deveriam exterminar milhões de pessoas,não gostava de assistir as cenas de violência que recomendava,por ser muito sensível e ter o estômago delicado para suportá-los…

Josef Menguele,depois de atirar contra as paredes crianças de variadas idades,a fim de vê-las estertorar até a morte,no campo de extermínio onde realizava absurdas experiências que chamava de médicas,no lar beijava os filhinhos com enlevo,como se fosse outro indivíduo…

Gêmeos eram estrangulados pelos seus sequazes à distância,a fim de testarem a possibilidade de serem transmitidos por meio não usual a percepção do pavor e do sofrimento entre eles separados.

Homens e cães ferozes lutavam diante desses opressores,sendo os primeiros estraçalhados pelas feras esfaimadas e treinadas para matar.

Torturadores técnicos e indiferentes,cada dia criavam novos métodos eficazes de morte lenta,a fim de se comprazerem;porém,todos eles,retornando ao lar e à família,à noite,eram pessoas gentis,sociáveis,bons vizinhos,amados pelos seus conhecidos.

 

 

                           *        *        *        *        *       *

 

 

A crueldade que explode na guerra está em potencial nos indivíduos que a exteriorizam quando as circunstâncias assim os permitem.

As vítimas polonesas das florestas de Katim assassinadas com crueldade comovem a atualidade.

O extermínio dos habitantes de cidades como Lídice e Oradour,que sequer sabiam a razão porque eram fuzilados em grupos sucessivos,provocam compaixão e retratam a irracionalidade dos que vivem pela força.

Os mortos recentes,nos campos de refugiados,na Palestina e no Líbano,despertam nos corações dores lancinantes.

Nenhuma guerra justifica a crueldade,nem mesmo ela sendo justificável.Assim,no futuro,impiedades tais,nunca mais!

 

 

                           *       *        *        *       *       *

 

 

Dia virá,no qual o silêncio dos holocaustos gritará aos ouvidos do homem sobre a necessidade de este abandonar o uso da força perversa,mudando de comportamento.

O Mártir da Cruz,desde a dois mil anos,por amor,perdoou os que O mataram,ensinando às vítimas dos tempos futuros,a partir de então,a fazer o mesmo.

Página sombria da História,que ainda se repete,há de desaparecer da Terra,em breve,e para que isto aconteça,unam-se todos os homens no amor e no respeito ao próximo,vencendo em definitivo as forças mentais perversas,geradoras da crueldade que a todos desgraça.

 

 

 

>>>>>>>>>>>>>>>>>Joanna de Ângelis

               (Mauthausen,Áustria,29 de maio de 1990.)

 

 

[Texto extraído do livro:”Ante os Tempos Novos”,Divaldo Pereira Franco & Suely Caldas Schubert]

 

 

 

guerra-2

 


 

Reflexão:

 

https://www.youtube.com/watch?v=awATmnNmkIE

 

 


 

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