A Visita de um Suicida…

– Sofro”Sou um condenado.

A expressão da médium era de dor enquanto colocava no papel o desabafo do visitante,evocado por Kardec a pedido do irmão do morto.Dois anos antes,ele cometera suicídio no Sena.

– Vossa morte foi voluntária?

A letra era grande,irregular e quase ilegível.A resposta confirmou a cauda da morte:

– Sim.

A médium escreveu e,instantes depois,transtornada,quebrou o lápis ao meio e rasgou o papel.

– Tende calma.Rogaremos por vós a Deus.

Já com expressão mais leve,a médium retomou a escrita:

– Que motivo vos levou a destruirdes?

– Tédio da vida sem esperança.

– Sóis mais feliz agora?

– O nada não existe!Minha alma está como num braseiro,horrivelmente atormentada.

Kardec dividiu com os leitores da Revista Espírita todo o diálogo – uma longa conversa,que se arrastaria por três páginas – e pontuou as perguntas e respostas com comentários dirigidos a quem via a morte como o fim,uma solução para os sofrimentos da vida:”Pelo suicídio não se escapa a um mal,mas se cai num outro mal cem vezes pior” – afirmou.

Neste artigo,publicado em fevereiro de 1861,revelou também aos leitores uma das dúvidas que o mobilizaram em suas pesquisas:se todos nós somos “espíritos” e conhecemos os “mundos espirituais”,como podemos renascer na Terra tão materialistas,sem a consciência de que a vida continua através dos tempos,em outras dimensões?

Essa intuição é recusada,como castigo,a certos espíritos que conservam o orgulho de existências anteriores e não se arrependeram de suas faltas.

O esquecimento seria também uma benção,porque a lembrança de existências passadas provocaria uma “penosa confusão” em nossas vidas.

Relatos como estes,de suicidas em desespero,ajudavam a evitar muitas mortes.Kardec seria saudado,ao longo dos anos,por vários leitores gratos,que atribuíram a seus livros e a seu trabalho o fato de continuarem vivos e com esperanças renovadas.

Estas demonstrações de gratidão,testemunhos de vidas salvas pelo espiritismo,aumentavam o inconformismo de Kardec diante dos céticos.

Para ele,o ceticismo também matava.

E foi com o dedo em riste que fez uma acusação aos antagonistas da doutrina,os “materialistas” para quem a vida depois da morte não passaria de ilusão:

S”Muitos culpados são aqueles que,por sofismas científicos e no suposto nome da razão,se esforçam por prestigiar esta ideia desesperada,fonte de tantos males e crimes,de que tudo acaba com a morte.”

[- Texto extraído do Livro:”Kardec A Biografia”,de Marcel Souto Maior.]

flor

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