Lição de Caridade*

“A caridade é um exercício espiritual.Quem pratica o bem coloca em movimento as forças da alma.Quando os espíritos nos recomendam,com insistência a prática da caridade,eles estão nos orientando no sentido de nossa própria evolução;não se trata apenas de uma indicação ética,mas de profundo significado filosófico.”

                                                               Chico Xavier

Chico era uma pessoa diferenciada.No Natal,enquanto a maioria das pessoas se reunia em torno da mesa para comemorar com condições de saírem de seus barracos.Nessas visitas,ele levava sempre um presente para cada um,sentava junto das pessoas,contava histórias e fazia orações.

Além disso,inspirava outras pessoas,por meio da distribuição de mantimentos que promovia desde os tempos em que vivia em Pedro Leopoldo.

Uma destas oportunidades em que pôde inspirar pessoas da caridade foi pelos idos de 1928.Nesta época,em Pedro Leopoldo,nas sessões do Centro Espírita Luiz Gonzaga,era comum procurarem Chico quando precisavam de auxílio e não sabiam mais a quem recorrer.Certa ocasião,chegou até o Centro um morador de rua cego,levado por algumas pessoas.Ele estava muito ferido após sofrer uma queda no viaduto da Central do Brasil,em Pedro Leopoldo.Chico prontamente o recebeu e começou a tratá-lo em um pequeno cômodo alugado ao lado do Centro.Como ele só conseguia estar com o acidentado na parte da noite,já que trabalhava durante o dia,resolveu colocar um anúncio no jornal da cidade para tentar encontrar alguém que pudesse tomar conta do senhor cego durante o dia e à noite ele continuaria responsável por auxiliá-lo.

Dias e mais dias se passaram sem que ninguém se oferecesse para a incumbência,até que apareceram lá duas prostitutas,que,como não é de se estranhar quando pensamos em uma cidade pequena,já eram bem conhecidas da população.

O médium aceitou de bom grado o auxílio prestado pelas meretrizes que durou até que o cego ficasse recuperado do acidente.Durante este período,todos os dias,Chico,as duas mulheres e o acidentado faziam orações juntos.Após a recuperação dele,as mulheres disseram a Chico que aquele período fornecendo auxílio e orando com ele havia transformado suas vidas,que agora se mudariam para Belo Horizonte a fim de obter um emprego mais digno,e deixariam a prostituição definitivamente.

Quando seu ex-patrão,José Felizardo faleceu na mais completa miséria,Chico foi o primeiro a buscar ajuda para que ele tivesse um enterro digno,saindo de porta em porta solicitando ajuda para sepultar o amigo.Conta-se que até um mendigo cego ajudou com o dinheiro que havia recebido de esmola.

Há que registrar também que várias centenas de instituições de solidariedade social foram criadas e inspiradas por seu exemplo e obra:orfanatos,escolas para os pobres,lares de deficientes,sopas dos pobres,campanhas do quilo,ambulatórios médicos,alfabetização de adultos,bibliotecas,entre outras.

De acordo com a Federação Espírita Brasileira,os direitos autorais dos livros de Chico Xavier,cedidos em cartório,beneficiam mais de 100 mil famílias.

Uma das instituições criadas com a ajuda e a inspiração dele foi o Hospital do Fogo-Selvagem.Tudo começou em 1959,quando a enfermeira Aparecida Conceição Ferreira deixou seu emprego na Santa Casa de Misericórdia de Uberaba para cuidar de doze vítimas de fogo-selvagem,doença conhecida cientificamente como pênfigo foliáceo.Ela se sensibilizara,pois os doentes haviam recebido alta do hospital sem mesmo estarem curados da doença.

Porém,as vítimas não tinham um local para ficar,e Aparecida levou-os para o único local possível:sua casa.Vizinhos e parentes não aceitaram aquela situação,pois acreditavam que a doença fosse contagiosa.No entanto,ela estava decidida,e se tivesse de escolher entre cuidar daqueles enfermos ou sua família,não hesitaria em ficar com a primeira opção.

 Alguns dias depois,Aparecida foi autorizada a levar os enfermos para um pavilhão no Asilo São Vicente de Paula.Pouco a pouco,o número de pacientes começou a crescer,e ela tratava todos com o mesmo amor e cuidado.

Como o número de pacientes já estava muito grande,resolveu pedir ajuda a Chico Xavier e se dirigiu até sua casa.Naquela oportunidade,não conseguia falar com ele;mas teve enorme surpresa quando,no outro dia,recebeu uma doação de roupas para os doentes,vinda dele.Dias depois,o médium fez-lhe uma visita e entregou uma quantia em dinheiro para que pudesse atender a todos os que a procuravam.

Passado algum tempo,o número de pacientes ainda crescia e Aparecida resolveu visitar novamente o médium para contar-lhe seu objetivo de construir um hospital e que,para isso,iria a São Paulo solicitar ajuda.

Chico,conhecedor das dificuldades que ela teria na cidade,auxiliou-a entregando o cartão de visitas de uma pessoa que poderia ajudá-la em São Paulo.Tratava-se de Assis Chateaubriand,magnata das comunicações,dono dos Diários Associados e da TV Tupi.Este cedeu espaço em seus veículos de comunicação para uma campanha,a fim de receber doações para a construção do Hospital do Fogo-Selvagem.

A luta de Aparecida foi difícil.Certa vez,ela estava perto do Viaduto do Chá pedindo dinheiro para a construção do hospital quando acabou presa,acusada de solicitar doações para uma entidade fictícia.Resultado:passou oito dias na prisão,até conseguir provar sua honestidade.

Atualmente,o Hospital do Fogo-Selvagem é considerado referência no tratamento dessa doença e é mantido com muita dificuldade por meio de doações.Enquanto viveu,Chico sempre fez questão de visitar e auxiliar esse hospital.

Durante toda a sua vida,ele teve oportunidade de exemplificar a grande máxima do espiritismo de que fora da caridade não há salvação,entendendo por caridade qualquer ato em prol do próximo,qualquer atitude de desprendimento,desde um simples gesto de sorrir,escutar alguém que esteja precisando,até prestar uma ajuda financeira.

Por muito tempo,as filas que se formavam para receber suas doações eram imensas.O médium distribuía sorrisos,dava conselhos,ajudava com dinheiro e comida aos pobres.

Independente da atitude alheia ele sempre estava disposto a ajudar,mas nem os trabalhos de distribuição de alimentos em cestas básicas realizados pelo médium em Uberaba eram poupados da maledicência de alguns.

Certa vez,alguns de seus colaboradores notaram que uma mulher rica,conhecida da sociedade uberabense,toda semana,religiosamente,tomava a sopa distribuída por Chico e pegava cestas básicas.Indignados e revoltados,os colaboradores foram levar a situação a ele para que tomasse providências.

Porém,o médium,na sua simplicidade,contornou a insatisfação dos colaboradores esclarecendo “Meus Filhos,que humildade dessa senhora”Enfrenta uma fila com sol ou chuva e,pacientemente,aguarda a sua vez para pegar mantimentos”.Uma lição para todos.

Nos últimos tempos,as doações financeiras reduziram,mas mesmo com a diminuição,nos dias em que Chico trabalhava no Centro Espírita da Prece,a espera para participar das sessões espíritas e ver o médium podia demorar até 3 dias.Porém,nada fazia com que as milhares de pessoas que o procuravam mensalmente deixassem de aguardar pela simples oportunidade de vê-lo.

[________Texto extraído do Livro:”O Homem que Falava com Espíritos”,de Luis Eduardo de Souza.]

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