Suicídio,uma questão delicada…

Toda semana alguém me faz a mesma pergunta:quem se suicida vai direto para o umbral?

Tenho um amigo,um primo,um ex-namorado,um tio,uma conhecida que se matou…

Para elucidar a questão,vou reproduzir aqui a abertura de meu romance Coragem para Viver,porquanto um dos assuntos deste romance,em particular,é o suicídio.E o texto é bem elucidativo.

Ao longo de séculos de civilização,o debate sobre uma importante questão abordada neste livro tem gerado mal-estar à sociedade.

A psiquiatria e a psicologia tratam o tema com seriedade e certa sutileza,auxiliando,com propriedade,pessoas que perderam alguém que se matou.

Matar-se é um ato de desespero?Matar-se é um ato de coragem?Matar-se é um ato de covardia?

Embora a religião,a moral e as filosofias em geral condenem o suicídio por ser contrário às leis da Natureza,em princípio,ninguém tem o direito de abreviar voluntariamente a vida.

Conforme o tempo passa,o suicídio ainda perturba e é capaz de suscitar debates calorosos,com uma imensa bancada dos que o condenam e um pequeno grupo dos adeptos do niilismo,ou seja,daqueles que acreditam que a vida não tem sentido algum e,portanto,o defendem.

Na história da Humanidade,dependendo do contexto,matar-se foi considerado algo,digamos,aceitável e também absolutamente reprovável.

Na Roma Antiga,os soldados que retornavam derrotados das batalhas eram obrigados a se matar.

A Bíblia não usa o termo,contudo,Judas Iscariotes e Sansão se mataram.

Muito embora as escolas do cristianismo vejam o suicídio como pecado,há uma bela passagem em Romanos(8:38-39)que afirma:”…nem a morte,nem a vida será capaz de nos separar do amor de Deus”.

A Igreja Católica,na Idade Média,influenciada por pensadores,como Santo Agostinho e São Tomás de Aquino,também considerava o suicídio pecado,até porque naquela época quem se matava não tinha o direito de ser enterrado e era jogado ao ar livre,no lixo,deixado para ser devorado por animais noturnos.

A Igreja resolveu,à época,matar dois coelhos com uma só cajadada:desestimular a prática e evitar situações constrangedoras,como mal cheiro,ou pedaços de corpos espalhados pelas ruas.

Nos dias atuais,tanto o Ocidente como o Oriente olham para o suicídio como algo ultrajante,embora haja algumas seitas religiosas modernas que cultuem,como a Ordem do Templo Solar,fundada em Genebra,na Suíça.

Mesmo que a prática seja considerada degradante,existe a autoimolação – ato de atear fogo a si mesmo – ,procedimento de resignação comum em certas sociedades,como no caso da Índia,onde esposas,em certas localidades,ainda se atiram na pira crematória do marido.

Ainda,no tocante à autoimolação,esta voltou à moda,recentemente,quando dezenas de pessoas atearam fogo em si mesmas em protestos durante a Primavera Árabe,poucos anos atrás.

Nota-se que o suicídio,portanto,sempre foi uma questão de aceitação,com um dedo imenso de julgamento,de condenação,de discriminação apontado duramente àquele que o comete.

Afinal,por que não se tem esse direito?O homem não é livre para pôr fim a seu sofrimento e suas angústias?

Diante de tanta discussão,o Espiritismo surgiu para mostrar,na prática,ou seja,por meio de exemplos,o que de fato acontece com quem dava cabo da própria existência.

E,em todos os casos observados,a história nunca foi tão animadora,seja nos casos relatados em livros,seja nos casos de que eu,como doutrinador,participei em sessões mediúnicas no centro espírita onde trabalhei por anos.

Se abrir O Livro dos Espíritos e for direto para as questões que tratam do suicídio – Livro Quarto,Capítulo 1,perguntas 943 a 957 – ,notará que Allan Kardec tratou do tema com extrema perspicácia.

Kardec era professor,sabia como elaborar as perguntas aos espíritos.E,se atentar bem para as respostas,deduzirá que não há julgamento,crítica ou condenação.

De modo algum.

O Espiritismo não condena quem pratica o suicídio.Simplesmente mostra que o ato de matar-se não vai resolver o problema do indivíduo,porquanto a vida continua.

A pessoa só matou o corpo físico;o espírito continua vivo;e,como Kardec enfatiza,o suicídio,grosso modo,causa ao indivíduo decepção e desapontamento.

Isto posto,quem de fato está ligado ao Espiritismo,ou a alguma corrente espiritualista,tem como princípio básico o não julgamento.

Ser espírita ou espiritualista é ser caridoso;ser caridoso é praticar o amor a si e ao próximo,pois caridade é o amor em ação;daí que não cabe nesse escopo,julgamento,condenação,crítica ou maledicência.

A ideia,que muitos ainda conservam na mente,de que toda pessoa que se mata vai purgar no umbral,vai ficar presa no corpo em decomposição pelo tempo que deveria ainda viver na Terra,vai sofrer horrores no vale dos Suicidas e afins é muito relativa,pois cada caso é um caso.

Não se pode,de forma alguma,generalizar.

Muitas pessoas impressionaram-se sobremaneira,principalmente no meio espírita,com o clássico Memórias de um Suicida,de Yvonne do Amaral Pereira.Realmente o livro foi um marco na literatura espírita,quando lançado,na década de 1950.

E,de lá para cá,parece que Memórias tornou-se o roteiro oficial para todos aqueles que se suicidam.

Ora,por mais que o livro seja um alerta euma espécie de assertiva às questões de Kardec,são experiências relatadas por um espírito em particular.Camilo Cândido Botelho vivenciou aquilo.

Foram as experiências dele transmitidas à médium.Foi um alerta,sem dúvida alguma,mas foi o que ele vivenciou.

No entanto,aquilo ficou cristalizado na cabeça de muita gente,da mesma forma que muitos acreditam que,ao morrer em paz com a consciência,irão para a Colônia Nosso Lar,por ela ser muito famosa,como se houvesse uma única cidade no mundo espiritual.

Também não é assim.É como um estrangeiro acreditar que em nosso país só exista São Paulo ou Rio de Janeiro,ignorando os – quase – cinco mil municípios existentes.

Cada caso é único e devemos respeitar a dor e o sofrimento de todos,voltando a dizer,sem julgamento,crítica ou condenação.

Não estamos aqui para passar a mão na cabeça e afirmar que o suicídio seja uma boa saída.Não sabemos.Não estamos na pele de uma pessoa em desespero ou em profundo estado de depressão.

Não podemos criticá-la.

Hoje vivemos num mundo em que pessoas se matam por uma ideologia.Homens estouram bombas no próprio corpo para defender uma crença religiosa;outros reivindicam a eutanásia;pessoas que se alimentam mal e levam uma vida sedentária não se importam com as doenças que surgem no corpo;diabéticos se empanturram de doces,não tomam medicação,entram em coma e morrem.

Tudo isso é suicídio,ou não?

É por essa razão que Marco Aurélio trouxe,por meu intermédio,uma história abordando o tema em questão.

Para reflexão.

O conceito de suicídio e a maneira como ele é encarado depois que o indivíduo deixa o corpo físico e retorna ao mundo espiritual estão muito mais ligados ao conjunto de crenças e atitudes do que à moral humana.

Na verdade,o que importa é como você se vê,quais são suas crenças acerca da vida,morte,suicídio,eutanásia,ataque suicida e morte por doença.

A sua maneira de crer é o que vai determinar como você vai encarar a vida pós-morte e se comportar no mundo astral.

obviamente,quem comete o suicídio,de maneira fria e violenta,não está em seu melhor juízo.

Como tenho acompanhado em inúmeros trabalhos assistenciais a desencarnados,o suicídio em sua forma tradicional – enforcamento,envenenamento,tiro,atirar-se de uma ponte ou da sacada de um prédio,jogar-se sobre as rodas de um trem – é como comprar uma passagem de avião,mas cujo destino não será Bali,Bahamas,Nova York ou Paris.

A primeira escala vai ser um lugar bem ruinzinho,pode acreditar.

Em todo caso,cada um é livre para fazer o que quiser de sua vida.Só estamos,eu e Marco Aurélio,relatando experiências que nos são passadas,casos reais de pessoas que viveram na Terra e querem transmitir a história de vida delas,ajudando você,de uma forma ou de outra,a fazer escolhas mais acertadas.Só isso.

Estamos vivendo um momento mágico da existência.É a primeira vez na história da Humanidade que você tem a chance de cuidar verdadeiramente de si,não ter vergonha nem medo de se colocar em primeiro lugar,de ser dono da própria vida,de conduzir o seu destino.

Por mais que tente destruir a sua vida,matar-se,a vida vence,porque ela é eterna.Você sempre vai estar vivo.Queira ou não.Acredite ou não.

Não adianta ficar nervosinho,birrento,com raiva do mundo e querer parar tudo.O mundo não vai ser como você sonhou.As pessoas não vão ser como você as idealizou.

Eu sei.É duro quando tudo desmorona à nossa frente e o castelo de areia desaba.Dá vontade de pôr fim em tudo.Já senti isso.

Mas quer saber?A melhor maneira de seguir em frente é a aceitação.Aceite que o mundo é assim mesmo e as pessoas são do jeito delas.

E,principalmente,o mais importante:aceite você do jeitinho que você é.Seja seu amigo.Seja sua melhor amiga.

Trate você como trata a sua melhor amiga.

Conseguiu imaginar a cena?Pois comece a tratar você desse jeito agorinha mesmo!

Por isso,se você está triste,depressivo,desiludido,seu grande amor morreu,não encontra emprego,está sem grana e com um monte de contas para pagar,está com a corda no pescoço,com a conta do banco no vermelho,perdeu a guarda do filho,levou um pé da esposa,foi traída,descobriu uma doença grave,está se sentindo gordo,feio…enfim,se você acha que a vida acabou…não acabou,não.

Eu estou aqui com a minha energia de contentamento,com a minha alegria contagiando você neste exato momento.Eu e o Marco Aurélio.

Vamos,reaja!

A vida é o dom mais precioso que existe.

Coloque a sua força para fora.Chame o guerreiro,a lutadora que há dentro de você.Traga à tona esse bicho adormecido,louco para despertar,cheio de garra,força e coragem,que vai ajudar você a conseguir todas as coisas boas da vida.

Tem um banquete enorme para você desfrutar aí fora.

Você nasceu para brilhar.Do seu jeito,da sua maneira.

Não se compare com ninguém,não se iluda com as ideias do mundo.

Vá atrás dos seus objetivos,dos seus sonhos,por mais estapafúrdios e loucos que sejam.

Deixe a sua alma lhe mostrar o que ela quer.

E,pensando assim,a ideia de morrer vai sumir.

Assim,num piscar de olhos.E você vai se encher de vida.vai se contagiar de vida!

Se tiver um amigo,uma pessoa querida que esteja muito triste,em depressão,passe ou transmita o teor deste texto para ele,ou para ela.

Vamos juntos destruir essa onda de negatividade e criar um grande elo de alegria e contentamento.

A credite em nós.Não desperdice a oportunidade.Tudo,absolutamente tudo na vida tem jeito.

Tudo se resolve.

Vai por mim.

Eu estou com você.Meu mentor também está torcendo e vibrando por você.

Vamos juntos vencer o desânimo e viver,viver e viver.Com muita alegria no coração.

Um caloroso abraço,cheio de vida!

 

______________

Texto extraído do Livro:”Acorde pra Vida”,de Marcelo Cezar.

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